quinta-feira, 18 de maio de 2023

Youtube Underground: Danael Fernandes

 
Olá, Youtubers, tudo bem? Bem, o Youtube faz parte da minha vida há um bom tempo e, desde o início desse tempo, sempre preferi canais menos conhecidos. Como há vários canais do Youtube que gosto e que não recebem tanta atenção, fiz o quadro Youtube Underground, no qual eu apresento canais pouco conhecidos que adoro. Então apertem Play que as coisas talvez possam ser divertidas. 

Danael Fernandes é um canal de cultura pop no geral, abordando HQs, Animes/Mangás, filmes, séries, desenhos e games. Os seus vídeos costumam ser voltados para a abordagem de narrativas, seja falando sobre uma obra em específico ou de recursos narrativos que são usados. Claro que se tratando de jogos, ele até desvia um pouco desse tema de narrativas, com os vídeos dele de Dark Souls e A Dance of Fire and Ice sendo puramente sobre a jogabilidade, mas boa parte dos vídeos em que ele fala sobre jogos, narrativas também são abordadas junto com a jogabilidade. Ele comenta os assuntos de uma forma clara e concisa, e consegue instigar os espectadores a fazer umas reflexões interessantes, por mais básicas que sejam (ele foi a primeira pessoa que me fez questionar o conceito de clichê). Eu não tenho muito a comentar sobre os seus quadros, porque eu já os tinha mencionado lá atrás, exceto o Respondendo Coisas que é o típico quadro de perguntas e respostas. 

Mostrarei um vídeo para tirar suas conclusões, mas antes, leiam as informações adicionais: 

Classificação Indicativa: 10 - 14 anos (imposta pela CEIPM - Classificação Etária Imposta Por Mim)

Duração dos Vídeos: 6 - 30 minutos (há exceções, mas são poucas)

Número de Inscritos (até o momento): 143 mil 

Curiosidade do Canal: O avatar dele é, na verdade, o personagem Sensei do Mangá "A Menina do Outro Lado" (ele já esclareceu algumas vezes que esse é um dos Mangás favoritos dele). 

Agora sim, assistam o vídeo para tirar suas conclusões: 

 
Se o vídeo não te convenceu, não tem problema, só não vale xingar. 

Assista Se: Quiser ter uma nova perspectiva sobre recursos narrativos em mídias; Gostar da forma que ele apresenta o seu conteúdo.
Não Assista Se: Não gosta que conceitos formados na sua cabeça sejam desafiados; não quiser saber muito de cultura pop ou mídias que estão fora da zona de conforto. 
O Que Acho Sobre: Danael Fernandes é alguém com um canal legal. O conteúdo apresentado sobre as narrativas e seus recursos acabou me atraindo, ainda mais pela forma clara que ele apresenta. Ele até me incentivou a fazer umas reflexõezinhas em relação a esses recursos e o parabenizo por isso. O jeito que ele expressa e mostra o que fala prendeu a minha atenção, mesmo não sendo muito bombástico. Por conta disso, Danael Fernandes garantiu uma vaga no espaço de canais menores que assisto. 

Já conhecia o canal? O que achou do vídeo? Gostou da postagem? Comente e comente nas redes sociais, e até.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Top 20: jogos que joguei em 2022 (parte 2)

Como diz o título essa postagem é uma continuação da postagem anterior e é necessário lê-la primeiro para aproveitá-la melhor. Continuando... 

Como em 2021 eu me adentrei em Persona, um passo lógico a se tomar seria adentrar na franquia que originou Persona, Shin Megami Tensei. Ainda não cheguei a jogar jogos o bastante dessa franquia, mas ainda sim me considero um fã, tanto que há 2 jogos dela nessa parte, com um deles sendo este aqui.

10: Shin Megami Tensei - Synchronicity Prologue (2017) 

Synchronicity Prologue é um spin-off da principal franquia de Shin Megami Tensei e é um tanto curioso. Ele se passa durante os eventos de Strange Journey e sua existência foi puramente feita como forma de promover o lançamento do remake de Strange Journey. Com essas palavra até parece que há uma receita para um desastre, com eventos interligados a um jogo da série principal e feito apenas como um anúncio de um remake desse dito jogo, mas não é necessário jogar Strange Journey para aproveitá-lo (a história aqui nem importa) e ele estar nessa lista mostra que é competente. Ao invés de ser um RPG de Turno, esse spin-off opta por ser um Metroidvania. A jogabilidade aqui é bem dinâmica, com comandos responsivos, 2 personagens jogáveis e até algumas influências de Bullet Hells (majoritariamente de Ikaruga) nas lutas de chefes. O seu maior ponto forte é ser conciso. O jogo dura umas 2 ou 3 horas, e para alguns, essa duração pode ser decepcionante, mas não chega a ser problema para mim por conta de certos aspectos. O mapa está do tamanho certo, não é grande demais e é perfeitamente compacto, com áreas que tiram um bom proveito das mecânicas, apesar da progressão ser um tanto linear para um Metroidvania (mas isso não significa que ele é desprovido de segredos). Ele também apresenta belos visuais 2D e uma boa trilha sonora. Mesmo sendo um tanto curto e feito apenas como propaganda para o Strange Journey Redux, SMT Synchronicity Prologue consegue ser bem feito e divertido. 

Na parte 1 desse top, apresentei Metamorphosis of M Dolly, que foi o jogo que me fez adentrar nos Walking Sims. Depois de jogá-lo, fui jogar outros games feitos pelo mesmo criador (David Su), e vi que os seus games se especializam em ser canções interativas. Dos que eu joguei, esse foi o que eu mais gostei, porque achei que foi algo bem único.

9: Evergreen Blues (2020) 

 
O que exatamente é Evergreen Blues? Como diz nas páginas do itch.io e da Steam, "o jogo é uma construção de música interativa baseada em escolha sobre as relações entre audiências, autores e os personagens e mundos que eles criam", e irei tentar explicar melhor o que isso quer dizer. O jogo é um conjunto de 6 músicas diferentes e em cada uma delas, você decide qual será a letra de cada. O tema sobre a relação dos artistas com sua audiência está presente em todas elas, mas é contado de uma forma abstrata e minimalista, o que pode não agradar alguns e tachar esse jogo de pretensioso se não estiver em sintonia com ele. O que me fez gostar tanto dele, e tê-lo achado único, é a sua ludonarrativa. Mesmo a sua página esclarecendo sobre o que a sua mensagem se trata, não quer dizer que não esteja aberta para interpretação, e o jogador irá interpretar a mensagem, não só pelo o que está sendo dito, mas também pela capacidade de escolher a letra da música, que é uma forma de dar sentido ao que está apresentado. Além disso as músicas são boas, com a cantora tendo uma voz bonita e uma instrumentação combinando com sua beleza. Pode não ser a coisa mais extraordinária já feita, mas os 11 minutos de Evergreen Blues me encantaram com o seu uso criativo de ludonarrativa. 

Quando estava fazendo a lista "Meus jogos favoritos de cada ano que vivi", decidi jogar esse aqui para acrescentá-lo como o jogo de 2019, pois a minha escolha passada para esse ano (Grimm's Hollow) não era um jogo com o qual estivesse apegado para merecer o título de favorito do ano, e valeu a pena
8: A Short Hike (2019) 
A Short Hike é um jogo de exploração com elementos de plataforma, com o intuito de ser simples e agradável. A premissa é que a nossa personagem (Claire) quer escalar o topo de uma montanha para pegar sinal e atender uma ligação no telefone. Se parece chato, não se preocupe, pois esse objetivo principal pouco importa e nem de longe é o que o torna especial. Por ser um jogo de exploração, é isso o que importa aqui. A ilha na qual o jogo se passa é um ambiente agradável, com moradores amigáveis e um bocadinho de coisas pra fazer, e devido ao tamanho compacto do local, andar por aí e fazer atividades secundárias acaba não sendo um saco, já que não tem tanto do excesso que esses jogos de mundo mais aberto apresentam e fez cada momento valer a pena. A jogabilidade também é satisfatória, e o Level-Design focado em verticalidade complementa as habilidades de voo e escalada da Claire. O enredo não é super elaborado, mas me conectei com a sua mensagem sobre não se preocupar com o futuro e aproveitar o presente, já que eu passei por esse tipo de problema na minha vida (se eu tivesse jogado aos 14 anos, eu teria me emocionado mais, por conta desse problema ter sido maior nessa época). Além disso, o estilo visual com 3D pixelado é charmoso e a trilha sonora é agradável. Mesmo com sua curta duração, não sendo a melhor coisa e não ter jogado na época que eu mais precisava, A Short Hike acabou me conquistando e o aceito pelo que ele é. 

Como mencionado na parte 1, decidi correr atrás de obras sobre a pandemia, seja sobre o próprio evento ou com semelhanças na situação. Das que foram sobre o evento em si que tive contato, não senti que eram bem o que procurava. And the Band Begins To Play era um poema fofinho e Inside do Bo Burnham não chegou a me conectar emocionalmente, por mais que fossem bons. Foi quando eu joguei esse game, que finalmente achei o que queria.
7: All Things Equal I Would Prefer It If We Were Safe & Lonely Instead of Together & Afraid But I Cannot Deny That Is Hard; or; A Solitary Spacecraft. (2020)
Sim, o nome do jogo é longo desse jeito. Dá pra dizer que ele se parece com o And the Band Begins to Play, por ser sobre a pandemia e ter a mesma Engine (Bitsy), mas as semelhanças param por aí. Assim como todos os jogos feitos na Bitsy, a jogabilidade é bem mínima, se sustentando por outros aspectos, como a força de sua narrativa. A história aqui é autobiográfica do seu próprio criador (Dante Douglas), sendo a sua experiência pessoal na quarentena. O que me agradou nele não foi só sua história sobre a quarentena, mas a sua aplicação de jogabilidade minimalista. É comum que qualquer jogo agrade aos jogadores, justamente por ser prazeroso de jogar, mas e se um jogo for bom pelo motivo contrário? Sacrificar uma boa jogabilidade em prol de uma mensagem é uma decisão um tanto arriscada, pois pode alienar os jogadores e não há garantia de que vão tolerar ou ligar para o propósito, e fazer esse tipo de coisa requer um equilíbrio um tanto delicado. Esse é um daqueles jogos que é especial por não ser bom de jogar. Como o Bitsy é uma Engine limitada, permitindo que a jogabilidade seja só andar e ler texto, não é algo que irá agradar todo mundo e entendo quem achar esse tipo de jogo chato, mas essas limitações foram bem utilizadas na sua ludonarrativa. O jogo inteiro se passa num quarto, você só interage com objetos que mostram caixas de texto que falam sobre os momentos do criador durante a quarentena e sair pela porta só te leva para o próximo dia. Os dias continuam nesse mísero quarto, sem poder sair, imaginando coisas melhores para fazer, além de se trancar nesse espaço e tendo que aturar esse sofrimento, estando num ciclo de monotonia. Além da jogabilidade entediante, a história ser uma autobiografia de alguém na pandemia é bem fácil de simpatizar, já que as pessoas do nosso tempo já passaram pela dificuldade que foram os momentos de quarentena. O que me faltava naquelas outras obras sobre a pandemia mencionadas, era esse clima melancólico e a pessoalidade de uma biografia que me faltava. A Solitary Spacecraft é uma valiosa cápsula do tempo e uma lição artística sobre games não precisarem ser bons de jogar para ter uma experiência impactante. PS: Caso entenda inglês e queira jogar, aqui está o link dele para jogá-lo no navegador (também funciona no celular): https://videodante.itch.io/solitaryspacecraft 

Deu pra perceber que eu tenho um certo apreço por jogos de luta na 1° parte desta lista, ainda mais se você lembra que o meu jogo favorito de todos é Super Smash Bros Brawl. Smash Bros não é um jogo de luta tradicional, fazendo parte de um subgênero dos jogos de luta chamado Platform Fighter. Entretanto, dos que são mais tradicionais, esse acabou sendo o meu favorito.
6: Akatsuki Blitzkampf (2007) 
Conheci esse jogo quando me deparei com um vídeo no Youtube com o título "Fighting Game Simplicity Done Right" (simplicidade em jogo de luta feito da maneira certa, em tradução livre), e desde que assisti, acabei me interessando. A sua jogabilidade fez jus ao título do vídeo que me apresentou ao jogo, conseguindo ser simples o bastante para um iniciante mergulhar de cabeça, mas apresentando profundidade o suficiente para um veterano do gênero aproveitar, além do combate ser mais pé no chão e não ser focado em movimentação frenética e mecânicas obtusas, como em outros jogos de luta independentes dessa época. Ele também apresenta uma quantidade decente de modos alternativos para um jogo desse calibre, como um tabuleiro com desafios diversos, lutas de 4 jogadores, um editor de cores e até um modo Online (que não cheguei a jogar, porque veio de um jogo japonês de 2007, em tempos aonde Wi-Fi não tinha se popularizado tanto quanto hoje). Não é a quantidade mais extensa de conteúdo já existente, mas tem jogo de luta hoje em dia que nem é tão completo quanto esse daqui. Outra coisa que chama a atenção é a sua estética. Mesmo se passando num mundo fictício, é tudo obviamente inspirado pela 2° guerra mundial (inclusive com os vilões sendo uma clara alegoria ao nazismo), tendo uma direção um pouco mais sombria e intensa em relação a outros do gênero, mas ainda assim tendo personagens com designs distintos e memoráveis. Akatsuki Blitzkampf é um belo exemplo de um jogo conseguir ser acessível sem sacrificar o que o torna atraente para os mais experientes, e consegue fazer tudo o que faz com competência.

Conhecer algo do nada pode muito bem despertar a curiosidade e te fazer experimentar coisas que você não fazia ideia que gostaria. Foi isso o que aconteceu comigo nesse jogo.
5: Serial Experiments Lain (1998) 
Serial Experiments Lain é um jogo de PS1 bem curioso. É um jogo que se foca na sua história, sendo que ela é apresentada de forma desorganizada, com o jogador tendo que juntar os pedaços para desvendá-la. A narrativa aborda tópicos muito importantes sobre saúde mental, que continuam relevantes até hoje e não se segura em mostrar as duras e pesadas realidades de conviver com transtornos e como as pessoas ao redor os tratam. É provável que alguns de vocês já conheçam Serial Experiments Lain por conta de sua versão em Anime, e se é necessário assistir essa versão antes de jogar, digo que não. Mesmo complementando a obra original, a história apresentada não se passa no mesmo universo e pode ser aproveitada de boa sem precisar ter assistido o Anime. A minha descrição apresentada é decepcionantemente curta se comparada com as dos outros jogos da lista, mas decidi deixar por aí mesmo, pois tenho planos futuros de cobri-lo mais a fundo em uma review aqui no Blog. Enquanto ela não estiver pronta, vou deixar a posição do jogo nesse Top falar por si mesma. 

Não é segredo pra ninguém que adoro Kirby e que é a minha franquia de games favorita, e com o novo lançamento principal dela nesse ano, não podia ficar de fora. 
4: Kirby and the Forgotten Land (2022) 
Kirby and the Forgotten Land é o mais novo game principal da franquia e o 1° a ser 3D. Para uma 1° vez no 3D (sem contar os Spin-offs), a adaptação foi incrivelmente boa. A jogabilidade funciona muito bem aqui, com controles responsivos e adaptando muito bem certas partes dos jogos 2D, como fazer o voo não ser mais infinito para complementar os ambientes mais espaçosos e menos verticais, e deixando o moveset das habilidades mais parecido com Amazing Mirror e Squeak Squad do que com o Super Star, para deixá-los mais funcionais na jogabilidade 3D. O Level-Design também é surpreendentemente bom. Mesmo com as fases sendo lineares, elas contém boas oportunidades para exploração e devido a verticalidade reduzida, as seções de plataforma conseguem ser tão recompensadoras quanto, já que não são tão trivializadas pela habilidade de voo. O Mouthful Mode podia ser uma mecânica forçada pra enfiar variedade feita de qualquer jeito, mas não, ela acabou sendo uma mecânica divertida e que dava uma boa variedade. Os visuais e as músicas também são boas, e nisso não tenho tanto a comentar. Deu pra perceber que amei bastante esse jogo, mas sei que ele não é perfeito. Teve algumas coisinhas ali e aqui na gameplay que podiam melhorar um pouco e admito que sinto falta de coisas dos jogos 2D que não tem nesse aí, mas não diria que me atrapalhou substancialmente no meu divertimento. Kirby and the Forgotten Land é um dos jogos da série que mais me encantou, acertando em cheio nos seus planos e me enchendo de otimismo para os futuros jogos 3D dela. 

Você já gostou de algo muito fora de suas preferências pessoais? Uma daquelas coisas que tem uma ou vários tipos de coisas que não são muito do seu agrado, e que para sua surpresa, você gostou? Se eu falasse para o meu eu do passado que gostaria disso, dificilmente me convenceria, mas cá estou aqui, botando esse jogo nessa posição.
3: Echo (2021) 
Echo é uma Visual Novel de drama e terror psicológico, e uma das minhas maiores surpresas entre o que gostei. Sei que algumas pessoas meio-informadas (a parte do meio está no sentido literal) podem estar um tanto apreensivas ao bater o olho nisso aqui, e claro que não tenho como disfarçar esse fato. Echo é um produto Furry (uma subcultura sobre interesse em animais antropomórficos, demonstrada de várias maneiras) e também é um pouco mais voltado para quem for gay, mas isso não é um fator determinante na sua qualidade artística ou aproveitamento da obra, pois oferece muito para desfrutar, mesmo se você não for parte desses demográficos. Por ser Visual Novel, é claro que a história vai ser foco ao invés de gameplay, e a posição disso aqui no Top já dedura a minha opinião sobre ela. A história é sobre um grupo de amigos de infância revisitando a sua antiga cidade natal Echo, para aproveitar a oportunidade de reviver os velhos tempos, já que o protagonista da história (Chase) está fazendo um trabalho para a faculdade sobre o caso de histeria em massa ocorrido no local, e por um dos gêneros principais dessa história ser terror, é claro que o negócio vai dar ruim. No geral, eu não sou um cara muito de terror, não por dar medo, mas porque costumo sentir mais apatia nos supostos momentos de tensão e medo do que a maioria das obras do gênero esperam. Apesar disso, a narrativa aqui conseguiu perfurar essa defesa minha, me deixando genuinamente desconfortável, com sustos muito bem construídos e apresentando descrições que elevam bem a tensão, tudo isso sem recorrer a jumpscares baratos. A efetividade disso é ainda mais elevada pelo quão bem são apresentados os personagens e o local da narrativa. Os personagens são muito bem escritos e desenvolvidos, cheios de nuance em sua caracterização, desde as falhas até as suas ações, e mesmo a vasta maioria sendo pessoas que não gostaria de chegar perto, me apeguei a eles e suas histórias. Já é de se esperar que Echo seja pesado, até arriscaria dizer que é uma das obras mais pesadas que já tive contato, incluindo tópicos como drogas, sexo, abuso, estupro entre outros, felizmente os tópicos abordados foram lidados com maturidade e não os mostra como choque vazio. O ritmo é a cola que mantém cada aspecto da experiência firme, e sem isso ela não me prenderia tanto. Echo não é terror o tempo todo, visto que ele também dosa momentos de Slice of Life com os personagens fazendo coisas mundanas de boa, mesmo que isso não os impeça de ter a sensação de que algo de errado possa acontecer. Echo também é ótimo em ser sutil, com as suas explicações não sendo oferecidas de mãos beijadas, com descrições crípticas o bastante, mas compreensíveis o suficiente para não serem confusas, respeitando bem a inteligência do leitor e não sendo condescendente. Posso não ter muita experiência com o meio das VNs, mas sinto que a maioria me parece ter problemas em dosar o ritmo dos textos, sendo lacônicos demais para algo que exija mais texto ou sendo prolixos demais para muito pouco ou até pro que já é bastante. Echo tem por volta de 600 mil palavras e milagrosamente se salvou de ser uma história prolixa, pois senti que cada palavra importava e que a quantia foi o suficiente para contar a sua história. Isso não significa que a narrativa anda a mil por hora, pois a progressão dela é lenta, mas não chega a ser um lento tedioso. Por ser VN, a probabilidade de ser do tipo que tenha escolhas que alteram a narrativa e rotas atreladas a personagens é alta, e se você achou que esse seria o caso, acertou. Nem todas as escolhas importam, mas o jogo te fará questionar se está tomando os rumos certos, e nem é difícil pegar o "final bom" de cada rota, pelo quão sutilmente telegrafados são os rumos tomados pelas escolhas. Sobre as rotas de personagens, todas elas foram bem aplicadas, dando muitas camadas para os personagens principais ou secundários e a cidade de Echo, além de todas serem bem escritas e não sendo feitas puramente para romance (tem romance, mas não é o ponto principal) e não ser necessário fazer mil malabarismos para entrar em uma, é só escolher e pronto. Alguns preconceituosos irão achar que um jogo desses possa ser um pornô, e nem nego que há cenas de sexo aí, mas além de não serem muitas, elas não mostram nada visualmente explícito e se mantêm no texto, ainda mais que essas cenas não são retratadas como material para punheta, mostrando como a bagunça de emoções que realmente é e não sendo só eróticas (devo parabenizar Echo por ser uma das poucas obras que retratam sexo de forma honesta). De pontos negativos, menciono certas inconsistências na arte e a eficácia de escolher qualquer rota poder confundir o jogador, visto que certas rotas foram pensadas para o jogador pegar mais para o final e pegá-las no início pode gerar confusão. Mesmo não sendo culpa do jogo, ele só não fica mais à frente, justamente por ser tão fora da minha curva. Eu ter gostado tanto dele chega a ser um milagre. Echo pode não ter sido feito exatamente para mim, mas me cativou tanto com seus personagens complexos, mistérios instigantes, e ter me proporcionado emoções que eu não achava que sentiria.

Lembram que na décima posição desse Top havia mencionado que havia outro SMT na lista? A hora é agora.
2: Shin Megami Tensei - Devil Survivor (2009) 
Além de ser a minha porta de entrada pra MegaTen, Devil Survivor foi o meu início na busca de obras sobre a pandemia. Decidi começar por esse aqui, por que além de ser um RPG Tático, ele foi o que mais me interessou na premissa. "3 jovens estavam aproveitando o seu cotidiano em Tokyo, até eles descobrirem a existência de demônios e que eles podem usá-los como se fossem Pokémons através de dispositivos, e não foram só eles que descobriram, pois o governo descobre que há uma infestação de demônios na cidade, e decide impor uma quarentena e acobertar a situação. Então, os nossos heróis devem sobreviver à quarentena e achar uma solução para esse problema". Só de ler já deu para perceber que a situação da premissa é estranhamente parecida com a nossa pandemia, e esse foi o jogo que impulsionou o meu interesse em procurar obras que se assemelhassem a nossa pandemia ou que sejam sobre ela. Em questão de história, gostei bastante. O principal tema da narrativa é sobre os perigos de quando uma sociedade entra em colapso, e a situação da quarentena demonstra bem isso, com o psicológico da população se deteriorando e levando as pessoas aos seus piores comportamentos. Todas essas questões foram muito bem trabalhadas na narrativa e a forma que os eventos progridem de mal a pior é bem crível. Os personagens também não ficam atrás, com o elenco sendo consistentemente bem escrito, tendo boas histórias e certas nuances nas suas ações e personalidades, com nenhum deles sendo caricato demais (os personagens menos bons foram só OK, e os únicos que deixaram a desejar para mim foram os agentes do governo, por achá-los meio sem sal). Eu também gostei das rotas alternativas, e como os finais delas não tem uma solução 100% correta para o problema em questão, tendo boas doses de ambiguidade moral e com o roteiro não puxando saco para nenhuma delas. Por ser MegaTen, é claro que há várias coisas de mitologias diferentes, como demônios, deuses e muito mais, e isso é um aspecto da franquia que eu adoro, ainda mais nesse jogo, pela forma que ele aborda questões sobre o cristianismo, como a torre de babel e a natureza de deus. Em gameplay, o jogo também se sobressai, com mecânicas de batalha bem dinâmicas, boas doses de customização e uma variedade de missões. Outro ponto que me fez jogá-lo primeiro foi por ter um sistema de gerenciamento de tempo parecido com Persona,  em que você deve usar o seu tempo livre para conhecer os personagens, fazer missões e evitar a morte permanente de certos personagens, num período de 7 dias. Estava apreensivo antes de jogá-lo, pois SMT é uma franquia conhecida por ter uma dificuldade elevada (também um ponto que me deixou confuso por qual começar), mas quando fui jogar, não tive tantos problemas e peguei o jeito. Sim, o jogo é difícil, mas saber o que está fazendo ajuda muito, achei que foi um difícil moderado, mas isso vai de cada um, pois dificuldade é subjetiva. Também cheguei a jogar a versão de 3DS (Devil Survivor Overcklocked) no mesmo ano, e ela é tão boa quanto, adicionando novos demônios, melhorias de gameplay e balanceamento, melhorando os visuais e som, dublagem e um novo epílogo chamado de 8° dia, e jogá-la durante o meu estágio foi uma boa experiência. É evidente que adorei esse jogo, ele até virou um dos meus interesses especiais e se tornou parte da minha essência, mas também sinto que eu o superestimo. Como já tinha mencionado os agentes do governo serem sem sal em uns parênteses atrás, irei partir para outros problemas, como o jogo exigir um pouco mais de grinding do que outros MegaTens, a trilha sonora ser repetitiva por mais boa que seja, os designs de personagens serem um tanto qualquer coisa (especialmente as personagens femininas), ter poucas oportunidades para obter membros para o grupo até o final, alguns métodos meio obtusos de salvar personagens, alguns chefes chatos e apesar das rotas alternativas, as minhas jogatinas ficam cada vez mais parecidas com as outras a ponto de eu entrar em piloto automático (talvez esse último possa ser problema meu e não do jogo, sei lá). Por mais que ame esse jogo, não estaria surpreso se alguém se decepcionasse pelo tanto que  falo bem dele. Independente disso, SMT - Devil Survivor definitivamente se tornou um dos jogos da minha vida. Coisa que não deu para encaixar no texto: Eu também joguei o Devil Survivor 2, achei ele superior em gameplay, mas inferior em história se comparado ao 1°.

Antes de mostrar o primeiro lugar, vejam as 
Menções Honrosas:  
Magical Drop Pocket (1999): Gosto tanto de Magical Drop III, que até a versão mais limitada dele para o Neo Geo Pocket Color chega a ser divertida. É um port competente.
Touhou 7 - Perfect Chery Blossom (2003): Um Bullet Hell bem divertido que poderia estar no Top 20, se não fosse pelas minhas suspeitas de ter baixado uma versão Demo dele por engano.
Super Princess Peach (2005): Um jogo de plataforma simples e agradável, com uma mecânica de emoções interessante, e é bom ver a Princesa Peach protagonizando algo ao invés de ser sequestrada pela milésima vez. 
Melty Blood Act Cadenza Ver. B (2006): Achei melhor do que a versão Actress Again, pois tenho a sensação dos comandos serem mais responsivos, tem alguns modos exclusivos e não tem aquele sistema de luas obtuso. Quanto ao jogo, gosto do quão frenético ele é, apesar de não gostar de certos sistemas dele. 
The King of Fighters 2002 - Unlimited Match (2009): Possivelmente o melhor KOF, mas ele só fica nas menções honrosas por eu não ser tão chegado assim nessa franquia. 
Space Funeral (2010): Um RPG de Turnos surreal e engraçado que satiriza as convenções do gênero e há certas camadas interpretativas. Gostei dele, mas preciso de tempo para elaborar melhor a minha opinião. 
Kirby Triple Deluxe (2014): Um Kirby de 3DS que é bem divertido e com boas mecânicas e seleção de habilidades, mas ele peca em certas partes do Level-Design, tem uma trilha sonora fraca, e joguei o Forgotten Land antes. 
We Know the Devil (2015): Uma VN queer sucinta que é até legal. 
Catbird (2017): Um joguinho de plataforma para celular que é simples, divertido e não é Pay-to-Win
One Night, Hot Springs (2018) e Last Day of Spring (2019): Dois joguinhos que falam da experiência de ser trans no Japão que conseguem ser educativos, e ter profundidade para não te tratar feito uma criança mimada. 
Get sword, kill dragon save princess (2019): Um jogo de Bitsy mais focado em Puzzles do que narrativa, sendo divertido e com descontruções engraçadinhas de histórias de fantasia. 
Before Your Eyes (2021): Um jogo bem bonitinho sobre as nossas relações com memórias. 
Totsugeki 64 (2022): Uma Hack Rom de Super Mario 64 com memes de Guilty Gear. É satisfatório como o "Totsugeki" da May consegue burlar limitações do jogo de origem. 
Poinpy (2022): Esse é o jogo de celular que eu queria e não sabia, tendo uma jogabilidade desafiadora e intuitiva e nenhuma das tendências abusivas que assolam jogos desse tipo. 
The Bombs Have Been Dropped, I am Listening to Steely Dan and Wearing Cheap Sunglasses (2022): Um poema absurdista extremamente engraçado e com críticas ao capitalismo.
Aro (2022), The Adventures of Qunju Spark (2018) e Overthought (2017-2019?): Três jogos de Bitsy com o mesmo tema, que irei esclarecer melhor com a 1° posição desse Top

Nestes últimos meses, adquiri um gosto por jogos feitos por uma mulher com a alcunha de npckc, a maioria dos jogos dela são sobre as dificuldades de ser LGBT, abordando-as de uma forma educativa sem ser super didática e sem perder profundidade ao abordar esses problemas. O seu trabalho mais conhecido é a trilogia Springs, cujos 2 primeiros jogos estão nas menções honrosas. O 3° da trilogia foi o que mais me conectei emocionalmente por motivos que estou prestes a esclarecer.
1: Spring Leaves No Flowers (2019) 
Como o 3° jogo da trilogia, afirmo que Spring Leaves No Flowers se destaca em comparação aos seus antecessores. Os dois primeiros eram sobre as dificuldades de ser trans no Japão, com o 1° sendo sobre a perspectiva de Haru, uma mulher trans passando dificuldades em estar numa Onsen (casas de banho e hospedarias com fontes termais) por conta de seu gênero, e o 2° sobre Erika, sua amiga tentando procurar um spa que a aceite para oferecer lazer e relaxamento, na perspectiva de uma pessoa cis fazendo o melhor para simpatizar com a sua amiga trans. Os primeiros são sobre pessoas que já se descobriram e sabem quem são, o 3° é sobre alguém se descobrindo e que está confusa sobre quem é. Este último é protagonizado pela Manami. Nos anteriores, ela era uma amiga solidária, mas meio ingênua, e ao ver o seu ponto de vista, percebe-se que ela é tão cheia de ansiedade quanto a Haru, devido a sua vontade de evitar conflitos a impedir de falar o que está pensando. Isso é expressado pelo sistema de escolhas riscadas. A trilogia Springs, em questão de gameplay, é sempre voltada pra uma das capacidades mais básicas de Visual Novels, escolher diálogos que alteram a narrativa, e nesse 3°, há opções de diálogos que estão riscadas, como forma de representar o que a Manami tem medo de falar, e ao escolhê-las, ela acaba não falando e o jogador é forçado a pegar outras opções, tornando esse o mais difícil dos 3 quando se trata de pegar o final verdadeiro, visto que em certos pontos é necessário escolher as opções riscadas para avançar. Esse aqui humaniza muito bem a Manami e é um dos pontos que me fez gostá-lo, mas o motivo dele ter sido uma experiência pessoal para mim é outro. Não chega a ser segredo para alguns, pois tenho uma quantidade considerável de conhecidos que sabem disso, mas deve haver algumas pessoas que ainda não sabem disso, então: Eu sou arromântico e assexual (ou aroace caso refira a alguém que é os dois, como eu). O que isso significa? ser arromântico é sentir pouca a nenhuma atração romântica e assexual é sentir pouca a nenhuma atração sexual. Não é tão simples quanto arromântico não namora e assexual não transa, já que esse tipo de orientação está num espectro, também podendo ser Demi, que é sentir atração romântica ou sexual só depois de formar um vínculo emocional, Grey, que é sentir atração romântica ou sexual com pouca frequência ou em circunstâncias específicas ETC (não cobri o espectro tão extensivamente, mas estes foram os exemplos mais comuns que pude dar). Essa explicação minha é um pretexto para dizer que a história é sobre a Manami se descobrindo como aroace (tecnicamente, isso é um spoiler, mas é impossível explicar o quanto isso foi pessoal para mim sem mencionar aquilo). Na maioria das histórias sobre se assumir LGBT, quando os personagens se descobrem, eles geralmente se mostram 100% confortáveis com a sua identidade de uma forma caricata, mas aqui, mostra que o processo para se descobrir é confuso e até apavorante, e que mesmo depois de se descobrir, ainda há espaço para dúvidas. Admito que mesmo depois de ter me assumido como aroace, ainda tenho dúvidas sobre a minha sexualidade, e que também me enxergo na forma que a Manami tenta lidar com a sua descoberta, tentando justificar as inconsistências em seus sentimentos e tendo dificuldade em se abrir para outras pessoas por medo de que te julguem. Tudo isso foi lidado com elegância e a forma npckc de ser, o que me deixa bem feliz. Spring Leaves No Flowers é o meu 1° lugar nessa lista, não por ser uma das melhores coisas já feitas ou por ter mudado a minha vida, mas por ter me dado alegria de existir. 

Quais jogos você jogou em 2022? Quais foram os seus favoritos do ano? Já jogou alguns dos jogos deste Top 20? Tem interesse em jogar alguns deles? Gostou da postagem? Comente e compartilhe nas redes sociais, e que 2023 tenha felicidade!

domingo, 26 de março de 2023

Removi o prazo da minha review de Metal Gear Rising

Olá, tudo bem? Quando eu publiquei o post que revelou o meu novo sistema de avaliações, deixei com "PS" que eu faria uma review do Metal Gear Rising como a 1° que usaria esse novo sistema que criei e que ela sairia em março, mas decidi mudar de ideia por alguns motivos. 

1: Tinha mencionado que a escolha do mês era para condizer com o seu aniversário de 10 anos, mas é que eu estava lembrando errado algumas coisas. O game realmente fez 10 anos em 2023, mas ele tinha sido lançado em fevereiro, e não em março. Eu estava confundindo com a data de lançamento do jogo (19/02/2013), com a data em que eu tinha publicado a minha review dele (17/03/2017). Antes que me perguntem, sim, essa review que planejo é um remake, pois eu não estou satisfeito com o amadorismo do meu trabalho original. 

2: As circunstâncias da minha vida nestes últimos meses estão complicando as coisas. Em janeiro, acabei tirando férias de 2 semanas em Natal, e foi por isso que acabei postando a 1° parte do meu Top 20 em fevereiro ao invés de janeiro, pois eu me sinto mais à vontade no conforto da minha casa do que fora dela. Além disso, eu tenho que terminar o TCC da minha faculdade e precisaria equilibrar bem as responsabilidades com os meus Hobbys, o que está sendo meio difícil. 

3: A parte 2 do meu Top 20 está sendo um tanto trabalhosa de escrever. Admito que também estou usando esse post como tapa-buraco enquanto o outro não chega, mas não é totalmente por preguiça. Além do aviso, decidi publicar isso porque está sendo trabalhoso escrever a 2° parte do Top 20, não só pelo quanto eu tenho a dizer sobre alguns da lista e a dificuldade de verbalizar esses sentimentos, mas pelo motivo mencionado acima. Pelo quanto está sendo trabalhoso escrever e por conta das minhas responsabilidades acadêmicas, não posso apressar a 2° parte e a review e preciso ir com calma para deixá-las bem feitas. 

Foi só isso que quis comentar. A review não tem mais data prevista e avisei das circunstâncias que estão dificultando realizar esses planos. Isso não significa que eu não irei postá-la esse ano e, até lá, aguardem (mesmo que não saiba quando) porque vai valer a espera.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Top 20: jogos que joguei em 2022 (parte 1)

 Olá, povo do passado, tudo bem? O meu 2022 não foi tão conturbado quanto o meu 2021, mas não diria que foi super especial. Eu fiquei ainda mais cansado com a faculdade do que no ano anterior, me desgastando até a alma. Nos primeiros 5 meses, a minha irmã se mudou pra outra cidade, e mesmo estando feliz por ela, ainda tive dificuldades em lidar com a saudade que sentia (que foi aliviada pelas 3 visitas que ela fez ao longo do ano). E, por mais que eu tivesse alívio com o ano não ter sido tão pandêmico, as coisas não deixaram de ser cansativas. Mas com as coisas boas, eu fiz uma amizade bem forte com o meu cunhado (além de ter sido a única pessoa com quem fiz amizade online), eu me adentrei um pouco mais em algumas redes sociais (Instagram e Backloggd pra ser mais específico), fiz um estágio até que tranquilo na minha antiga escola e, claro, joguei vários ótimos jogos! Até diria que a quantidade de jogos foi bem maior do que em 2021. Com tantos jogos bons que joguei ao longo do ano, é claro que irei aproveitar para fazer uma lista dos que eu mais gostei. Olhem para o meu passado e divirtam-se! 

Lembrete: Obviamente, o ranking é baseado nas minhas preferências pessoais, além dessa lista não estar restrita apenas a jogos lançados em 2022 e, sim, a jogos que comecei a jogar em 2022. Diferente do "Top de 2021", a lista não será de alguns jogos que gostei e outros jogos que se tornaram meus favoritos, pois dessa vez, todos os jogos presentes (exceto as menções honrosas) no ranking se tornaram meus favoritos. 

Ace Attorney é uma franquia bem aclamada de jogos de mistério, por conta de seu humor, personagens carismáticos e tramas envolventes cheias de reviravoltas. Assim como a minha antiga relação com TWEWY, era um daqueles jogos que eu sempre soube de sua existência por muito tempo, mas que não corri atrás pra tentar sem saber por quê. Eu até joguei o primeiro AA uns meses depois de ter zerado Ghost Trick, que foi um jogo do mesmo diretor (Shu Takumi) no qual tinha me interessado, e mesmo achando o jogo decente, não diria que chegou a me agradar tanto. Foi só no ano seguinte que eu comecei a me adentrar mais com o resto dessa franquia, e dos que tive contato nesse ano, só o 3° que acabou me conquistando.

20: Ace Attorney - Trials and Tribulations (2004-2007) 


Trials and Tribulations é o 3° Ace Attorney principal e o final da trilogia (ou pelo menos o final antes de forçarem a lançar mais jogos da franquia). Assim como no resto da série, você controla um advogado de defesa tendo que defender seus clientes, precisando usar lógica, evidências e encontrar qualquer furo nas alegações da acusação e dos suspeitos. Sobre a história, eu digo que melhorou consideravelmente em relação aos outros 2. No 1° era até aceitável, mas não teve muito que se destacava ao meu ver e mesmo o 2° tendo alguns momentos de destaque, ainda era atolado por trechos bem mais ou menos. Aqui, os personagens conseguem ser melhor escritos (até alguns que aparecem em 1 caso só), os mistérios e casos são mais envolventes, os temas sobre a busca pela verdade tem mais profundidade, recontextualiza eventos de seus antecessores de forma perspicaz, dá muito Pay Off (resultado) pras tramas apresentadas e o charmoso melodrama carismático da franquia continua tão bom. Dos 3 primeiros AA, esse foi o que achei mais consistente e bem amarrado e vejo perfeitamente o porquê dele ser um dos mais queridos dessa série. Ainda prefiro Ghost Trick por ser mais consistente e ter me marcado mais, mas mesmo a minha experiência com esse aqui não sendo tão marcante quanto esperava, ainda consigo considerá-lo como um favorito meu por ver exatamente os pontos do Takumi como roteirista que me fizeram adorar Ghost Trick, seja pelos personagens, mistérios e as dosagens de drama com humor. O motivo dele estar aqui na última posição é simples, eu não joguei. Explicando melhor, quando joguei o 1°, lembro de me ter deparado com trechos que me deixaram confuso e frustrado, e tinha decidido apelar pra Save Scumming (salvar em pontos convenientes para se dar bem) e detonados, e como eu não tinha me impressionando com o 1 e estava com falta de paciência, decidi assistir um Let's Play no Youtube para me salvar das complicações. Além disso, eu estava querendo ver a versão PT-BR traduzida por fãs, chamada de Advogados de Primeira 3 - Casos e Acasos. Como o Ace Attoney que conhecemos é uma versão adaptada para deixar os nomes e referências mais palatáveis pros americanos, essa versão adapta os nomes e referências para deixá-los mais palatáveis pros brasileiros, e tinha achado isso genial (além de que a tradução teve envolvimento do Sahgo, o que me animou ainda mais). Como não o joguei, não consigo avaliar de forma justa as partes de gameplay dele, e por isso o coloquei nessa posição. Apesar da minha experiência estranha com ele, Ace Attorney 3 foi ótimo. 

Nesses últimos tempos, eu comecei a apreciar mais jogos com jogabilidade minimalista. Videogames são uma mídia em que a interatividade faz diferença, seja em um jogo de ação desafiador que testa reflexo ou um metódico que teste estratégia e cálculo ETC. Por conta das possibilidades de interação, quando um jogo mostra ter interações mais mínimas (como por exemplo: Visual Novels), acaba sendo muito fácil para a maioria criticar de forma mesquinha e até falar que "Isso não é um jogo!". O que constitui um jogo ou não, baseado em seu nível de interatividade, é uma pergunta vaga e não há respostas muito claras. Exigir que qualquer jogo ou o que o torna bom é o alto teor de interatividade é um tanto tóxico e julgar duramente baseado nisso é idiotice, pois tudo tem seu devido lugar. Além de Visual Novels, outro gênero que tende a ser criticado pelo seu baixo teor de interatividade são Walking Sims, que são jogos nos quais você só anda e acompanha coisas (eu sei que é mais do que isso, mas tive que dar uma resumida básica). Eu comecei a minha introdução desse gênero com esse aqui.
19: The Ballad and Metamorphosis of M. Dolly (2019) 
Apesar do nome ser meio grande, não há muito o que comentar sobre. Tudo de história que tem aqui é sobre M Dolly (não se sabe o gênero ou do que o "M" é abreviação) ter se transformado numa ovelha e se metendo em trapalhadas. Walking Sims são jogos que por terem só mecânicas de andar e fazer poucas interações, acabam focando em narrativa linear e atmosfera para compensar, e algo diferente aqui, é que M Dolly é um musical. Com a jogabilidade sendo andar apenas do ponto A ao B, ao chegar nesses pontos a música continua, e unir esses elementos básicos de um Walking Sim com um musical é uma ideia muito boa e que não vi sendo feita com muita frequência, além de ser bem integrada (esse não é o único Walking Sim musical feito pelo David Su, também tem o Yi and the Thousand Moons, mas esse eu não joguei por ser o único jogo dele que é pago). A música em si é até legal e divertida, sendo levemente cômica e até vai para um ponto meio macabro no final, mesmo não sendo a um nível extremo. Ele está nessa posição justamente por ser tão curto e básico. Mesmo com suas qualidades, não há muito aqui que me incentive a revisitá-lo, é só pegar, andar e termina em 2 minutos, e mesmo reconhecendo que baixa interatividade não é ruim, abre espaço pra ver gameplays completas por vídeo sem perder nada, já que a jogabilidade aqui não é tão importante. Mesmo que não tenha muito aqui, M Dolly é um tipo de jogo que adoraria que tivesse mais nesse estilo e que expandisse suas ideias. 

A pandemia da Covid-19 foi um evento devastador e que possivelmente será marcado na história da humanidade. Todo mundo tendo que se isolar socialmente como medida de segurança e a paranoia que se alastrava formaram uma cicatriz na história da humanidade que foi bem tensa. Em 2022, a pandemia foi amenizada e nos permitiu viver melhor, e mesmo os eventos não sendo esquecidos, ainda me dá uma impressão que as pessoas agem como se isso não tivesse acontecido (é só uma impressão, ainda há gente de máscara por aí e há álcool gel em todo canto). Nesse ano, fui procurar obras sobre esse evento, seja sobre o ocorrido mesmo, uma metáfora ou uma coincidência. O game abaixo é sobre o ocorrido mesmo.
18: And the Band Begins to Play (2021) 
 
And the Band Begins to Play é até um pouco parecido com o game passado, no sentido de ser curto e ter um foco em narrativa com jogabilidade minimalista (dá pra dizer que é um Walking Sim 2D). A história é basicamente uma versão extremamente resumida da experiência de seu criador, Adam Le Doux. A experiência contada não é literal, já que é representada visualmente por metáforas com poucas partes de sua vida colocadas no texto. Por ser sobre a pandemia, seria bem fácil assumir que a história seria claustrofóbica e deprimente, mas ela é justamente o contrário, tendo um tom mais terno e uma mensagem otimista. Outra coisa para ressaltar é que ele é uma enorme referência de Beatles, com o cenário sendo o Yellow Submarine e até partes da letra dessa música aparecem no texto. O motivo da posição, é que eu não me conectei tanto quanto esperava. Talvez por achar que não tenha refletido bem o que passei, por achar a sua prosa meio florida pro meu gosto ou por ser mais sobre sua mensagem do que os eventos (até diria que esse jogo é mais uma mensagem do que uma narrativa). Mesmo assim, ainda vi valor e consigo sentir bem as emoções passadas pelo texto. Independente se era o que eu espera ou não, And the Band Begins to Play segue firme e forte e é bonitinho. PS: Esse jogo é de navegador e se quiser jogar, aqui tá o link (só vou lembrar que também funciona em celular e que vai precisar entender inglês): https://ledoux.itch.io/and-the-band-begins-to-play

Eu tinha mencionado no "Top 20: Jogos que joguei em 2021" que tinha ganhado um PS3 de presente do meu tio. Um dos motivos de querer esse console, foi pra jogar esses jogos aqui.
17: Tales of Xillia 1 (2011-2013) e Tales of Xillia 2 (2012-2014) 
Acho que essa é a 3° ou 4° vez que menciono isso, então eu deixarei mais resumido para não ficar repetitivo. Eu sempre tive interesse em me adentrar em Tales of, mas acabei não fazendo isso por muitos anos, e foi só nesses últimos tempos que tive essa oportunidade. Enquanto eu não jogava, procurava vídeos sobre a franquia (Reviews, Let's Plays ETC) e isso me levou a saber mais sobre os jogos dela, incluindo spoilers. É evidente que eu já sabia o bastante sobre esse jogo antes de jogá-lo e ele fez jus as minhas expectativas? Sim, mas admito que não foi tão grandioso quanto a minha cabeça imaginava. Tales of é uma franquia bem "arroz com feijão" quando se trata de JRPG, se você já jogou bastante jogos do gênero (ou assistiu vários Animes Shounen) não terá tantas novidades, mas o que tem de básico essa franquia faz bem, e fazer o básico com qualidade é a sua graça. A trama em si não é a coisa mais interessante do mundo, sendo basicamente sobre os heróis desse jogo tentando impedir um cara mau de usar uma arma do mal, mas o que compensa são os personagens. Dos grupos principais dos Tales of que vi, esse foi o que mais me agradou, simplesmente por ter achado todos eles consistentemente bons e terem a melhor  química entre si. A série Tales of também é conhecida pelos seus sistemas de combate em tempo real e esse não decepciona. Tudo aqui é fluido, rápido, preciso e intuitivo e muito gostoso de jogar, apesar dos inimigos serem ridiculamente fáceis e os chefes meio chatos. Os problemas dele são as áreas com designs desinteressantes, ter dividido a história por 2 campanhas de uma forma xoxa e certas partes dele terem sido afetadas pelo desenvolvimento apressado. E como você pode ver a 17° posição é um empate de dois jogos, e agora é a vez de sua sequência. 
Tales of Xillia 2 é um jogo meio estranho dessa série. O motivo é por ele tentar ideias diferentes em sua história e gameplay, não só em relação ao 1°, mas da série inteira. O combate não muda muito e continua bem gostosinho, mas a dificuldade é um pouco mais desafiadora e até já vi gente considerando-o com um dos Tales mais difíceis (pelo menos nos chefes, os inimigos ainda são fáceis). Em questão de enredo, eu digo que sua estrutura episódica não flui bem (apesar de ter alguns momentos muito bons), mas os personagens continuam bons. Uma boa forma de descrever a narrativa é que ela é um epílogo estendido do 1°, vendo os veteranos do jogo passado vivendo suas vidas após os eventos do final foi um prato cheio e ver que eles ainda tiveram um desenvolvimento satisfatório aqui foi agradável. Também aplaudo por explorarem melhor o mundo de Elympios aqui, já que esse mundo foi uma das partes mais afetadas pelo desenvolvimento apressado do Xillia 1, e mesmo vendo melhor como é esse mundo aqui, o que temos não foi explorado tão a fundo quanto devia, mas ainda  foi satisfatório (também aprecio a temática urbana de Elympios, é bem diferente dos mundos de fantasia mais típicos dos outros Tales). Os veteranos do 1 continuam bem legais (com direito a inclusão de Gaius e Muzét, os antagonistas do 1 como personagens jogáveis), mas faltam algo a mais nos novatos. Outra coisa legal, são as dimensões fraturadas, que são realidades paralelas nas quais acontecem eventos que desviam do enredo original e que o nosso herói é forçado a destrui-las para deixar a realidade em que o game se passa mais estável, e esse conceito fica ainda mais legal nos momentos em que os veteranos nos acompanham e veem como as coisas podiam ser diferentes caso tomassem outros rumos. O ponto mais polêmico dele é o seu sistema de dívidas. É contextualizado que Ludger (o protagonista) está com uma dívida de 20 milhões e, em certos trechos, o jogo te impede de prosseguir na campanha principal, a menos que você pague a agiota (talvez esse seja o único que conheço onde você paga agiotas). Dá pra ver porque vários fãs não gostaram, visto que restringir o progresso e a forma que o jogador interage com o jogo por obrigação pode ser um saco e mesmo eu tendo problemas com a implementação dele, eu comecei a me incomodar menos com o tempo, por ser fácil arranjar rios de dinheiro mais a frente e esse sistema me obrigou a estar mais em sintonia com o próprio jogo. Pessoalmente, tive mais problema com o sistema de escolhas narrativas do que com as dívidas. Xillia 2 sofre de Síndrome de Telltale, cujos portadores sofrem de dizer que as escolhas narrativas importam, sendo que todas elas (ou a maioria) não importam tanto. O motivo do empate é simples, quando um falha, outro acerta e os dois se espelham nisso. Talvez eu prefira um pouco mais o 1, já que ele me marcou um pouco mais, mas também gostei bastante do 2. Mesmo não sendo tão espetacular quanto imaginava, a duologia Tales of Xillia foi legal de experimentar. 

Assim como no Top de 2021, irei incluir um jogo que tinha jogado em outro ano mas que não havia jogado o suficiente. Todos nós temos aquele momentos que imaginamos o quão legal seria experimentar ou obter algo que não possuímos, e se esse algo é bom quando temos contato varia muito. Quando tinha um PC fraco e datado para época de 2010 (um Windows XP) na minha pré-adolescência, imaginava como seria legal jogar o Street Fighter III (o máximo que eu podia jogar era o Alpha 2 e 3, já que o potencial para emulação do meu PC daquela época era mais limitado). Em 2019, fui jogá-lo pela 1° vez, e não foi tão bom quanto esperava. Quando fiz amizade com o meu cunhado, ele me falou que costumava jogar bastante Street Fighter III quando era mais novo e pra surpreendê-lo quando ele fosse me visitar, decidi baixá-lo pro emulador de PS2 do meu PC, e finalmente aprendi a curti-lo. 
16: Street Fighter III - 3rd Strike (1999) 
Street Fighter III - 3rd Strike é a 3° versão de Street Fighter III (as outras 2 eram New Generation e 2nd Impact) e um dos jogos mais venerados da franquia. Dos Street Fighters que joguei, esse foi o que achei mais fluido em sua jogabilidade, com os comandos tendo uma fluidez gostosa e os golpes terem uma sensação de peso satisfatória que não sinto tanto em outros da franquia, além dele ser técnico o bastante para satisfazer os jogadores mais hardcore, porém agradável o bastante para casuais que entendam o básico de jogos de luta. Além da jogabilidade, outra coisa notável é a sua apresentação. Em questão de gráficos, devo dizer que impressiona até hoje, com uma pixel-art belíssima, animações absurdamente fluidas e uma estupenda atenção a detalhes, e arrisco dizer que consegue botar muito jogo 3D de hoje em dia no chinelo com sua beleza gráfica. A sua trilha musical também se destaca muito, com ritmos mais voltados pra House e Jungle (subgêneros de música eletrônica), com algumas influências de Jazz, Techno e Hip-Hop, e por serem tão prazerosas de ouvir, acabou destronando o clássico Street Fighter II como trilha musical favorita da série. Eu e o meu cunhado jogamos algumas partidas do 3rd Strike e nos divertimos, com ele matando a saudade e eu finalmente aprendendo a jogá-lo, foram momentos breves, mas que nos alegraram, e descobri que ele é uma das pessoas com quem mais gosto de jogar jogos de luta (especialmente por ele dar curiosidades sobre as artes marciais usadas pelos personagens). O motivo da posição não é bem por problemas do game em si, mas por eu não conseguir largar da minha nostalgia com o Street Fighter Alpha 2, que foi o jogo que me fez apreciar melhor os jogos de luta mais tradicionais, e por achá-lo mais simples do que o 3rd Strike. Depois de tanto tempo, eu finalmente consigo apreciá-lo como queria. 

Posso ter me adentrado nos Walking Sims esse ano e ter gostado de suas filosofias de fazer muito com pouco, mas não cheguei a jogar tantos dos mais conhecidos, exceto por esse aqui, que é um dos mais aclamados do gênero.
15: What Remains of Edith Finch (2017) 
What Remains of Edith Finch é um jogo narrativo em 1° pessoa que pode ser meio básico, mas que faz bem o que faz no que ele se propõe. A sua história é sobe a intitulada Edith Finch, que é a última sobrevivente de sua família que volta pra sua antiga casa e lá ela desvenda o passado de sua família e o histórico das mortes de cada membro. Como podem ver, o tema principal é sobre morte e ele é muito bem explorado na narrativa. Enquanto joga, você explora a antiga casa dos Finch, com uma maravilhosa atmosfera misteriosa e solitária no ambiente, e a navegação do local serve como veículo pra chegar nas partes que importam. Tanto a história quanto a gameplay são estruturadas como uma antologia interconectada por vinhetas que contam sobre as mortes de cada membro da família Finch. Essas vinhetas são o ponto alto do game, com cada uma mostrando muita criatividade em visual, gameplay e storytelling. Cada vinheta apresenta um estilo visual condizente com a época e temática do personagem em questão e tem mecânicas exclusivas para cada uma. As mortes apresentadas nas vinhetas também não são literais, com elas sendo metáforas pras circunstâncias de cada personagem, ou não. É claro que gostei dele, mas ele está nessa posição mais por tê-lo achado competente do que ter me marcado bastante. Não importa se me marcou o suficiente ou não, What Remains of Edith Finch mostra como um jogo simples consegue ter bastante profundidade temática e entregar muita qualidade de forma sucinta. 

Se tratando das minhas preferências para jogos de luta, costumo gostar mais daqueles com jogabilidade 2D do que 3D, não que eu desgoste de jogos como Tekken ou Soul Calibur, mas há algo nos de luta 2D que me apetecem mais, ainda que não saiba explicar. Mesmo que a maioria dos jogos de luta 3D não estejam entre os meus favoritos, esse acabou me agradando pelas suas diferenças. 
14: Bushido Blade 2 (1998) 
Bushido Blade 2 é um jogo de luta feito pela Squaresoft (sim, a Square não faz só RPGs) com uma abordagem que não vi sendo feita com frequência pelo gênero. Dá pra dizer que ele é quase uma fusão de Soul Calibur com Samurai Shodown, já que segue um esquema de movimentação e luta com armas brancas parecido com Soul Calibur, mas sem ser voltado pra combos, aplicando um estilo mais metódico, que é levemente parecido com Samurai Shodown. Essa foi uma forma decente de descrevê-lo, mas não explica o seu diferencial. Ao invés de usar barras de vida, golpes especiais ou combos elaborados, Bushido Blade decide ir para um lado mais realista, onde um golpe só te mata instantaneamente, mas depende de onde você acerta, porque em certas partes só irá aleijar o personagem. Essa abordagem é muito legal, pois consegue deixar as partidas meio desesperadoras, já que a sensação de que pode perder ou vencer a qualquer momento é ainda maior. E com as mudanças de balanceamento nessa sequência, senti que o jogo me incentivou mais a usar estratégias em cada situação, ao invés de só spammar o mesmo golpe. Tudo bem que a jogabilidade é meio travadinha, mas nunca chegou ao ponto de atrapalhar. A posição, ou é por minha preferência para jogos de luta 2D, ou por não ter jogado o suficiente dele, nem eu sei ao certo. Bushido Blade 2 garantiu uma vaga para os meus jogos de luta 3D favoritos, por suas peculiaridades e pela sua competência.

Já ficou evidente nessa lista que comecei a ter um apreço por esses jogos de historinha com gameplay minimalista. Claro que não são os melhores jogos do mundo e é compreensível porque alguém os acharia sem graça, mas esclareci em parágrafos lá atrás que julgar games pela quantidade de interações é injusto. Junto com outro game que irá aparecer na 2° parte, esse foi um dos que mais me marcou.
13: He Fucked the Girl Out of Me (2022) 
Se tem uma palavra pra descrever esse game, é trágico. A história contada nele é baseada em fatos reais, e não é daqueles "baseado em fatos reais" que filmes de terror colocam só pra assustar, já que isso aqui é autobiográfico. Talvez não totalmente, já que a própria narrativa admite que não mostra absolutamente tudo e a protagonista ser representada por um fantasma, para representar o quanto ela está dissociada de sua identidade (e não compartilhar o mesmo nome de quem criou isso). O enredo é sobre Ann, uma mulher trans que pra arranjar dinheiro para sua transição, acaba tomando medidas drásticas, no caso, recorrer a trabalhos sexuais. Bem, eu não sou transgênero e não tenho experiências em comum com as apresentadas, mas não irei julgar baseando nisso. É comum em qualquer obra de ficção, se atrair com algo na narrativa no qual você se identifica, seja um personagem que tenha características em comum com você, uma mensagem na narrativa que conectou com você ou outras coisas, mas isso não é necessariamente uma garantia de qualidade sobre uma obra e nem um requerimento para apreciá-la, o que importa é se conectar a um nível emocional independente das experiências, e esse foi o caso com esse jogo. A história é pesadíssima e a as dores apresentadas são bem palpáveis. Senti o peso de cada situação e das questões éticas sobe sexualidade, prostituição, abuso, trauma e as dificuldades que pessoas trans enfrentam pelos seus direitos. Por ter vindo de acontecimentos reais, até mesmo elogios podem parecer frios e não estou descreditando os eventos ocorridos, porque eu reconheço que avaliar a prosa de maneiras tradicionais não funciona muito bem aqui. É claro que gostei e respeito Taylor McCue (a pessoa que criou isso) por expressar tão bem as suas dificuldades aqui, e mesmo não tendo experiências assim, me fez refletir sobre a minha relação com sexualidade. Sobre o que não tem relação com a prosa e a jogabilidade básica de andar e ler texto, o estilo gráfico de Game Boy Color é bem usado e apresenta quadros bem compostos, mas me incomodei com a falta de trilha sonora. Pode não ter sido o jogo que mais me marcou ou o que mais gostei, mas ele me fez refletir sobre algumas coisas. PS: Como também é um jogo de navegador,  colocarei o link dele aqui (mas além de entender inglês, vai ter que precisar de sanidade e estômago para aguantar o seu conteúdo sensível): https://taylormccue.itch.io/trauma 

Estes jogos de música de apertar botões com precisão, como DDR e Guitar Hero, são um tipo de jogo que gosto bastante, apesar de não jogá-lo com tanta frequência. O que me fez gostar desse gênero, foi a franquia Pump it Up e graças as minhas jogatinas do Exceed 2 na pré-adolescência, aprendi a apreciar. Como a vasta maioria dos jogos dela só estão disponíveis em máquinas de Arcade e nem é sempre que saio de casa, decidi experimentar uma versão mais "caseira" de um desses jogos.
12: Pump it Up Zero Portable (2007) 
Como a imagem diz, é uma versão do Pump it Up Zero (o 20° jogo da franquia) lançada pro PSP. Em questão de jogabilidade, não tem muito segredo, é exatamente igual a todos os outros já lançados. PIU segue aquele mesmo esquema de DDR, sendo um daqueles jogos de dança de apertar as notas no ritmo da música e com precisão, mas como o PSP é um portátil que não tem suporte a um Dance Pad, os controles tiveram que ser adaptados aos botões do console e quando a gente se acostuma, até que não fica nada mal. Admito que levei um tempo para se acostumar com isso, já que me acostumei aos Dance Pads das versões de Arcade. Porém, nesse tempo em que não me acostumei, fui levado para o meu passado, quando eu era um moleque inexperiente em jogos desse tipo e que constantemente falhava, mas que ficava melhor com a prática. Além da jogabilidade, as músicas são a parte mais importante desses jogos. Boa parte das músicas são mais voltadas para Pop, mas também há as músicas originais da BanYa (a banda original da Andamiro, a desenvolvedora de PIU) para dar uma variada, incluindo Hip Hop, Rock, Música Eletrônica e Remixes de Música Clássica e elas conseguem ser divertidas e legais, mesmo em meio a algumas meio qualquer coisa. Pela maioria dos PIU serem exclusivos de Arcade, eles não apresentam muitos modos além de jogar as músicas e o Zero Portable também não (no máximo, tem uma lojinha com itens caros). Entretanto, o Zero Portable apresenta formas de customizar a jogatina, como ter as notas com posição invertida, tê-las invisíveis, ter o dobro de velocidade ou até tudo isso ao mesmo tempo. Sendo honesto, PIU Zero Portable não é tão diferente de suas versões dos Arcades ou de outros jogos rítmicos na mesma pegada, mas ganha o meu respeito pelo apego pessoal e por poder jogá-lo sem sair pro shopping, independente se for grande coisa ou não. 

Bem, eu já fiz review dele aqui no blog e já esclareci tê-lo jogado por me lembrar Metal Slug. Não acho que preciso ir muito além disso. 
11: Dolphin Blue (2003) 
Já que esclareci tudo isso aí, vou tentar não ficar preso a muitas informações que repeti. A jogabilidade é muito boa, com controles responsivos e uma dificuldade levemente elevada, mais ainda assim acessível para quem não tem tanta familiaridade com Run 'n Guns. Os visuais são legais, com Sprites 2D bonitos e bem animados, em meio a cenários 3D com poucos polígonos, proporcionando um dinamismo visual interessante, com as rotações de cenário em meio ao contraste de estilos diferentes. Outra coisa que me fez gostar dele, é que esse jogo chega a ser um tanto terapêutico para mim. Já que eu tinha baixado um emulador de Dreamcast no meu celular para jogá-lo, eu posso pegá-lo para jogar a qualquer hora, e nos momentos que não me sinto tão bem, me animo um pouco quando o jogo, especialmente pelos Continues infinitos impedindo a minha frustração, ainda mais no celular que por não ter um controle físico, tive que me contentar com os botões de toque. Mesmo adorando Dolphin Blue, ainda tem uns pontos em que não rouba tanto o meu coração quanto Metal Slug. A sua identidade visual não é tão forte quanto a franquia da SNK, sendo um tanto insossa em comparação. Mesmo não sendo tão ruins, o jogo apresenta uma quantidade considerável de sessões de Auto-Scroll que podiam dar uma maneirada. O Level-Design foca demais no tiroteio, e mesmo Metal Slug tendo bastante tiroteio, ele equilibra isso com fases focadas em plataforma, e as sessões de plataforma em Dolphin Blue não são grande coisa por não ser uma parte muito integral do design. Independente disso, Dolphin Blue me alegrou, e isso é o que importa no fim das contas.

Continua...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O meu novo sistema de avaliações

 
Olá, tudo bem? Já faz um tempo que eu decidi dar um hiato para as minhas análises (a última que fiz foi a de Soul Eater - Battle Resonance). E o motivo é que eu estava insatisfeito com o meu sistema de avaliações. Sentia que os números de 1 a 10 que eu colocava não representavam tão bem os meus sentimentos em relação ao jogo que comentava e isso deixava as análises mais arbitrárias do que eu pensava. Não irei entrar em tantos detalhes nesse assunto porque eu já fiz isso em uma postagem passada, e se quiser vê-la para ter um contexto melhor, não vai ser complicado por não ter saído tão longe (é só 5 postagens atrás dessa). Já que o outro sistema não condizia bem com o que eu queria, decidi substitui-lo, e mesmo a solução não sendo perfeita, é mais do que suficiente para mim. 

Para oferecer um sistema de avaliação que balanceie bem o meu lado crítico e o emocional, decidi substituir os números por troféus. Pra esclarecer melhor, as notas finais se dividem em 7 troféus que representam um espectro das minhas opiniões sobre os jogos. Talvez não tenha sido tão claro quanto imaginei, mas acho que você possa entender melhor ao decorrer dessa postagem. Começando com a pontuação mais alta: 

7: Troféu de Diamante 

Essas imagens são meros Placeholders, não há garantia de que elas irão ser o produto final
 

O troféu de diamante é a pontuação que dou para jogos de que gostei consistentemente. Esses jogos me deixam bastante engajado, mas isso não significa que eles sejam perfeitos. Podem até ter problemas, mas os problemas não impedem que eu tenha uma experiência positiva com eles. 

6: Troféu de Ouro 
O troféu de ouro é outra pontuação que dou para jogos que gostei bastante. Mas, diferente do troféu de diamante, são jogos que tem problemas o bastante pra garantir uma pontuação abaixo. Podem até ter problemas consequentes para atrapalhar um pouco a minha experiência com eles, mas não muda o fato de que continuo gostando bastante destes jogos. 

5: Troféu de Prata 
O troféu de prata é para jogos de que só gostei. Os jogos nessa categoria podem ser só bons ou até muito bons, mas comparados aos que recebem os troféus acima, posso perceber que não sou tão emocionalmente apegado a estes. 

4: Troféu de Bronze 
O troféu de bronze representa um certo espectro. Pode servir tanto para jogos que são só aceitáveis e que não se sobressaem em muita coisa, quanto para jogos em que tive sentimentos mistos. Esse troféu é um tanto versátil nesse quesito, mesmo que ser só legalzinho ou estar confuso sobre o que achei não seja a maior honra na minha hierarquização de opiniões, pelo menos me dá uma reação um pouco mais forte do que o próximo troféu. 

3: Troféu de Cascalho 
O troféu de cascalho também tem um certo espectro, só que ele é um pouco menos aberto nisso. Basicamente, dou esse troféu para jogos que são meia-boca, ou ruins do tipo que davam para ser piores. Esses jogos são do tipo que não me dão uma reação forte além de serem ruinzinhos, e assim como cascalho, não é um tipo de pedra super interessante. 

2: Troféu de Carvão 
O troféu de carvão é reservado para aqueles jogos que são realmente péssimos. Os jogos que recebem esse prêmio são tão ruins, mais tão ruins, que dá até vontade de tacar fogo neles (eis o porquê de ter escolhido carvão). Mesmo sendo um troféu reservado pros piores jogos que joguei, ele se salva de ser a pior pontuação por poder enxergar algumas poucas coisas boas, deixando a experiência um pouco menos inútil do que deveria, apesar de continuar um tanto inútil. 

Enfim, o fundo do poço... 
1: Troféu de Cianeto 
O troféu de cianeto é reservado para o pior do pior. Os jogos com esse prêmio são experiências absolutamente inúteis em que não recebo nada em troca. Não consigo ver nada de bom neles, e mesmo se tiver, são pontos completamente anulados pelas circunstâncias de suas partes ruins. Assim como cianeto, é extremamente tóxico e não irá trazer nada de bom para você (e te matar). 

Este sistema de notas que decidi implementar  é baseado mais em apego emocional do que o jogo ser tecnicamente superior a outros. Ele serve pra balancear o meu lado mais lógico e crítico, com o meu lado mais irracional e emocional, permitindo que as minhas notas não sejam tão arbitrárias e ainda assim satisfazendo a parte do meu cérebro que gosta de categorizar. Bem, com todos esse meses de hiato para reviews de jogos,  pude muito bem pensar num sistema de notas que me satisfizesse e, mesmo não sendo a melhor solução para o meu problema, é definitivamente mais eficiente para o meu estilo de review do que os números de 1 a 10. 

Gostou do meu formato novo de notas? Está esperando vê-lo nas minhas reviews futuras? Gostou da postagem? Comente, e compartilhe nas redes sociais, Bye Bye! 

PS: Como estou mudando o nome do meu quadro de análises de "Survival Mode" para "Yanser Reviews" (o motivo é para deixar a intenção desses Posts mais claras), nada mais justo do que anunciar a minha primeira review que usará esse sistema de notas, e o jogo escolhido é: 
O motivo de ter escolhido Metal Gear Rising, é que quero postar a review dele em março. Eu não tenho um dia marcado para postar, mas quero postá-la nesse mês para condizer com os 10 anos que o game irá fazer.