Olá, povo que retornou, tudo bem? Aparentemente, Star Fox 64 não é o único clássico do Nintendo 64 que está voltando com um remake pro Switch 2, pois anunciaram um remake Zelda - Ocarina of Time em junho desse ano com uma prévia breve, e faz 1 semana que mostraram direito com o jogo será. Por ser um jogo tão importante pra mim, me senti obrigado em mostrar o que achei dele aqui.
O jogo está programado para lançar em 5 de novembro, e visto que ele lança 1 semana antes de GTA VI, tinha que ser justo o retorno de um dos jogos mais influentes já feitos para bater de frente com esse monstruoso lançamento. Vou fazer o que não fiz quando postei sobre o lançamento do "novo" Star Fox, que é mostrar o trailer, pois diferente daquele lá, o trailer desse aqui veio dublado, o que facilita pra quem não entende inglês.
Já vou discutir de imediato, o que mais chama a atenção nesse novo remake, a nova direção de arte. Como podem ver, os gráficos do jogo seguem um estilo fotorrealista com personagens mais estilizados, o que não é uma ideia que sou contra, mas fiquei um tanto misto com os resultados. Os gráficos me lembraram muito aqueles vídeos de gente recriando Mario ou Zelda com gráficos ultra realistas na Unreal Engine, algo que não acho necessariamente aplaudível, mas que aceitava por serem meras demonstrações feitas por fãs, e não uma realidade feita pra substituir o original. Os personagens ficaram esquisitos demais pro meu gosto, nem os gráficos poligonais do 64 causavam o efeito do vale da estranheza. Não desgostei de todos eles, a Saria até que ficou fofa no estilo, a Árvore Deku fica bem imponente com os detalhes a mais, a Grande Fada parece bem menos medonha, e a Navi é impossível de errar, por ela ser só uma bola de luz com asas. O Link e a Zelda foram os que mais me incomodaram, pois senti que o efeito do vale da estranheza foi mais intenso neles, por eles parecerem muito com bonecos de porcelana, que já são meio desconfortáveis de olhar, mas eles não foram quem eu menos gostei, com esse prêmio vindo pra Impa, que conseguiu ficar mais feia e acabada do que nas versões de 64 e 3DS do game. Não vou dizer que o estilo é 100% sem mérito, pois ele tem alguns toques interessantes. Alguns apontam que a arte teve inspiração no Ningyogeki, um tipo de show de fantoches japonês. Visto como os personagens da versão de Os Três Mosqueteiros da NHK Education TV se parecem, é uma ideia plausível.
Até dá pra ver as semelhanças na estranheza das proporções e os tipos de textura, e olhando por essa ótica, faz bastante sentido os personagens parecerem com estão nessa versão. Dá pra ter um ceticismo quanto a isso, visto que quem popularizou essa ideia é um cara que não trabalha mais na Nintendo (Takaya Imamura), mas os primeiros jogos de Star Fox foram feitos com os seus personagens parecerem marionetes por ideia do Miyamoto, tanto que o 1° da série teve os seus materiais promocionais (ex: comerciais e a própria capa do game) divulgados com marionetes, o que valida muito essa teoria. Mesmo com esse toque legal, não acho que isso se traduz bem pro game, visto que nesses tipos de programa ou teatro é mais fácil ter suspensão de descrença com a estranheza dos bonecos, e um videogame fotorrealista em 4k e 60 FPS não se comporta como esses outros meios artísticos. Mesmo admitindo as minhas preferências meio negativas com a direção de arte, isso não quer dizer que eu ache que games não possam ser estranhos, feios, bonitos, estilizados ou realistas como queiram.
Agora, para as mudanças de jogabilidade. Dessa vez, o Link pode finalmente correr, além de poder mover a câmera e ter um botão dedicado para pulos, que no original eram automáticos pra cada buraco. A Ocarina pode ser tocado não só com os botões, mas por comandos de voz. Os itens equipáveis são um pouco diferentes, pois não tem aquele esquema de equipar um item pra cada botão, apenas tendo um botão pra itens, e a troca deles ser mais parecida com a do Breath of the Wild. Também adicionaram nos menus de pausa, uma tapeçaria que adiciona detalhes conforme a história avança, recapitulando a sua jornada toda. Bem, tem adições convenientes e o jogo parece levemente mais fluido que o original, mas não curti a mudança nos itens e nem sei se vão fazer muita coisa no level-design pra acomodar o botão de pulo. A única adição que me interessou foi poder mover a câmera livremente, pois tem momentos que a câmera não ajudava no 64.
Vou terminar tudo isso com um desabafo sobre remakes de jogos. Remakes em videogames parecem ser mais celebrados do que em outras mídias, acho que parte disso é pela presença do aspecto interativo demandar o melhor de suas jogabilidades, e a outra é a dificuldade de videogames terem dificuldade de serem levados a sério como meios artísticos. Isso não significa que não há receio por esse tipo de prática, mas sinto que se integraram melhor na mídia do que nas outras. Fazer um remake é algo delicado, pois se você muda demais, recebe duras críticas de como removeu a essência da obra, se é igual demais, corre o risco do seu público achar desnecessário. Tem gente que olha remakes como substitutos pras suas versões originais, e eu não gosto de enxergar videogames por essa lógica, porque independente de ser melhor ou não como experiência, ver qualquer jogo antigo como um problema a ser resolvido e consertado com a modernidade é uma forma tão cínica de ser ver que não me dá gosto de considerar, e temos que admitir que a maioria dos remakes são feitos mais pra lucrar em cima da nostalgia do público por falta de ideias do que por méritos artísticos. Essa não é a 1° vez que Ocarina of Time recebe um remake, com ele tendo um remake pro 3DS lá em 2011, e é um ótimo remake bem fiel que respeita o jogo original, e mesmo criticando esse remake novo, ainda estou interessado e acho que vai ser bom, mas ainda é bom manter um nível saudável de ceticismo perante a relançamentos.
O que achou dessa nova versão de Ocarina of Time? Você tem esperanças de que ele será bom? Estranhou certas decisões criativas? Gostou da postagem? Comente e compartilhe nas redes sociais, Bye Bye!
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